Liderança

9 marcas de missões saudáveis

Artigo
04.25.2017

Bem, Mack, o que podemos fazer por você?

Assim foi feita a pergunta bem-intencionada após uma, ouso dizer, apresentação poderosa que eu havia acabado de fazer sobre o nosso trabalho missionário em uma região difícil da Guatemala.

Se você me conhece e faz essa pergunta, é melhor pegar a sua carteira. Anos atrás eu aprendi que raramente tenho fundos suficientes para a visão estabelecida diante de mim. E esse homem me conhecia; ele não costumava perguntar o que eu precisava, mas quanto.

Minha resposta o surpreendeu.

A melhor coisa que você pode fazer por mim, eu disse, é assegurar-se de manter a sua igreja saudável. Eu não posso fazer a obra lá se as igrejas não forem saudáveis aqui”.

Eu realmente creio nisso. E aqui estão as razões:

1. Igrejas saudáveis se apegam ao evangelho como o centro das missões. Igrejas doentes são assoladas com as últimas novidades em missões.

Uma igreja saudável conduzirá cuidadosa e calmamente o apoio às missões centradas no evangelho, e terá a cautela de compreender e ensinar sobre os limites e tentações da vulnerabilidade e contextualização cultural.

Há tanta pressão e tentação para buscar nos tornar relevantes a uma cultura que se torna perigosamente fácil cometer o erro de alterar a mensagem do evangelho. Tenho crido que o caminho mais rápido para a heresia são as missões relevantes e contextualizadas em demasia. Nunca devemos esquecer que as palavras mais difíceis de Paulo são reservadas para aqueles que pregam outro evangelho (Gálatas 1.8).

O contexto cultural é sempre um desafio, mas não é um trunfo. Dito de outra forma: A antropologia nunca supera a teologia. Está acima da nossa escala de remuneração mudar a mensagem do evangelho para adequar-se ao contexto.

2. Igrejas saudáveis são generosas. Igrejas doentes meramente dão gorjetas aos missionários.

Assim como você convoca os membros de sua igreja a serem generosos e alegres ao doarem, desse modo a igreja como comunidade tem a chance de exemplificar o que prega. Não dê gorjetas aos missionários; realmente dê suporte a eles. Escolha pessoas boas e apoie-as a longo prazo; e apoie-as generosamente.

Lembro-me de visitar uma pequena igreja onde me disseram que o sol nunca se punha em seu império de missões. Isso era indicado pelos pinos em um mapa no saguão. Mas, enquanto eu examinava, o mapa parecia ser mais sobre o desejo de dar a impressão que era uma igreja de missões expansivas do que realmente avançar o evangelho de forma significativa. Essa igreja apoiava dezenas de missionários, mas com pequenas doações de 25 dólares por mês. Não dê gorjetas aos missionários. É melhor você oferecer suporte a apenas um do que espalhar-se por um mapa inteiro.

3. Igrejas saudáveis apoiam os missionários certos. Igrejas doentes apoiam os missionários errados: um problema duplo.

Quando igrejas estão doentes, elas tendem a ficar confusas sobre quem deve ser enviado e apoiado.

Eu o chamo de princípio 747 [1]. Ou seja, entrar em um 747 não o tornará santo. O pecado o seguirá ali. Gostaria que pudesse ser tão fácil desenvolver a santidade como simplesmente comprar uma passagem de avião, mas não há transformação pela aviação.

As igrejas precisam confirmar a vocação dos indivíduos por um registro das ações feitas onde eles vivem. Se a pessoa não é frutífera no ministério onde vive, geralmente não será no exterior.

E você, consegue crer nisso? Alguns líderes da igreja já me confessaram que se livraram de uma pessoa difícil ao enviá-la para a obra no exterior.

Amigos, por favor, não nos enviem pessoas, a menos que elas consigam cumprir o ministério onde estão. Enviem-nos pessoas que vocês engajariam na equipe ou colocariam em seu grupo de presbíteros. Em Atos 13, a igreja em Antioquia envia Paulo e Barnabé. Que sacrifício! Deus honrará você e sua igreja se fizerem o mesmo.

A razão disso ser um duplo problema é que os bons missionários precisam desfazer o trabalho dos maus missionários, especialmente quando se trata de plantar igrejas. É muito difícil desfazer o que foi mal feito.

4. Igrejas saudáveis têm políticas missionárias úteis e solidárias. Igrejas doentes tendem a ter políticas missionárias egoístas.

O teste decisivo para a política saudável de missões é verificar se o seu apoio é orientado para o campo ou para a igreja local. Isso não é sobre você e sua igreja; é sobre aqueles que estão no exterior.

Talvez a viagem ao México para os jovens seja algo bom, pelo menos na medida em que ajuda os jovens. Mas não pensemos que isso é fazer discípulos das nações; trata-se de apoio ao programa de jovens da igreja. E eu não tenho nenhum problema com isso, mas vamos chamá-lo do que é. Essa mesma mentalidade facilmente se espalha para áreas mais importantes das missões.

Por exemplo, há alguns anos fui obrigado a recusar apoio significativo a missões uma vez que a igreja exigiu que hospedássemos as suas equipes de curto prazo. Já escrevi um livro sobre trabalhos de curto prazo; aprecio esses trabalhos. Mas naquele contexto eu não sabia como poderia hospedar as equipes de curto prazo sem prejudicar o trabalho delicado, mas a política era inflexível e a obra em um lugar muito urgente foi impedida por causa disso.

5. Igrejas saudáveis apoiam um ensino firme e centrado no evangelho. Igrejas doentes exportam heresias e ensinos ruins.

Você já ouviu que “névoa no púlpito é neblina nos bancos? No exterior, torna-se escuridão tenebrosa.

Pompa e esplendor programáticos, metodológicos e orientados para resultados parecem ter uma maior força no exterior, talvez porque ocorrem com a autoridade de um missionário. Independentemente disso, eles destroem igrejas saudáveis.

O evangelho da sáude e prosperidade é um grande exemplo. O que tende a ser apenas incômodo para muitos nos Estados Unidos se torna uma calamidade no exterior.

E admitamos ou não, o evangelho da prosperidade é uma exportação americana. Naturalmente, em um sentido, são apenas os deuses Moloque e Baal reembalados em roupas modernas e brilhantes. Mas ele está destruindo o verdadeiro evangelho nos piores lugares possíveis. Os lugares que necessitam de uma robusta teologia do sofrimento e perseverança em meio às aflições, como África, Oriente Médio e Índia, são devastados com o fermento do evangelho da saúde e prosperidade.

Minha amiga Joanna estava conversando com uma estudante muçulmana e descobriu, para sua surpresa, que essa estudante assistia Joel Osteen. Mas, disse a jovem inteligente, pode-se dizer que a mensagem dele não é para pessoas que sofrem de verdade”. Nós ficamos comovidos com a percepção dela, conscientes do alcance de pregadores de TV e entristecidos por uma muçulmana perceber o que pessoas de um contexto cristão não percebem.

6. Igrejas saudáveis geram missionários segundo a sua espécie. Igrejas doentes geram missionários segundo a sua espécie.

Igrejas programáticas produzem cristãos programáticos que se tornam missionários programáticos. Igrejas inculturadas produzem missionários inculturados. Igrejas sentimentais produzem missionários sentimentais. Igrejas sem Cristo produzem missionários sem Cristo. E assim por diante.

Igrejas saudáveis produzem cristãos saudáveis que se tornam missionários saudáveis. Precisamos aqui de pessoas que vêm de igrejas saudáveis e a tenham visto em ação.

7. Igrejas saudáveis sabem o que é a igreja. As igrejas doentes são confusas sobre a igreja.

Quando digo igrejas saudáveis me refiro a igrejas que estão estabelecidas em princípios bíblicos firmes e claros. Os missionários que vêm de uma igreja saudável já viram-na em ação e sabem como agir.

Por exemplo, poucos negariam que a igreja é central para a missão. No entanto, quando falo com missionários que estão comprometidos com o plantio de igrejas, frequentemente eles estão confusos sobre a igreja. E estas são as mesmas pessoas que estão tentando plantar igrejas! Eu mesmo tive discussões com pessoas que estavam em altos níveis de suas organizações missionárias que argumentaram comigo que não há distinção entre igreja e organizações paraeclesiásticas. Isso é um absurdo – e eu sou parte de uma organização paraeclesiástica.

Portanto, como participante de uma organização paraeclesiástica, permita-me afirmar que a igreja é a principal estratégia de Cristo para as missões, e é absolutamente essencial que os missionários conheçam os princípios básicos do que é uma igreja e de como estabelecer uma igreja de modo bíblico. Conhecer o que é a igreja ajudará os missionários a manterem os olhos no alvo, por assim dizer, enquanto as compreensões pouco saudáveis sobre a igreja muitas vezes direcionarão os missionários para outros trabalhos.

Por exemplo, um homem que arrecada dinheiro de fundações já me disse: Vocês não deveriam apenas arrecadar dinheiro para construir uma igreja, deveriam também construir um hospital! Poderíamos ganhar muito mais dinheiro”.

Estou falando sério, ele realmente disse isso. E suspeito que o que ele disse era verdade. E uma vez que ele e muitos como ele realmente não conhecem o centro do evangelho, buscam aquilo que parece ser correto a um homem. Mas lembre-se de onde Provérbios 14.12 diz que isso termina.

Evite a tentação de sair do caminho explícito que Jesus colocou diante da igreja para fazer discípulos. Sou contra a construção de hospitais? De modo nenhum. Se for parte de uma estratégia de longo prazo pensada para avançar o evangelho em um lugar difícil, vamos construí-lo. Apenas certifique-se de que você está avançando o evangelho e não apenas buscando dinheiro ou qualquer outro possível caminho que nos afaste de fazer discípulos de todas as nações.

A Grande Comissão não é apenas para ir e fazer coisas. É para ir e fazer discípulos.

8. Igrejas saudáveis geram muitos missionários. Igrejas doentes, não muitos.

Não há muito a dizer sobre isso; tenho contado ao longo do tempo quantos missionários vêm de igrejas saudáveis, per capita. Eu apenas gostaria que existissem mais igrejas saudáveis.

9. Igrejas saudáveis oram e apoiam os seus missionários. Igrejas doentes são omissas na ação.

Um casal preso por ser cristão no Irã foi repentinamente libertado da prisão em Teerã e expulso do país. Eles estavam fugindo, não sabiam para onde ir, estavam assustados e sozinhos, e eles apareceram em nossa casa. Eu fiz cinco telefonemas para cinco igrejas, igrejas saudáveis que apoiam missionários. Eles oraram e em uma hora o dinheiro necessário estava disponível para esse casal alugar uma casa e começar a ministrar aos iranianos na cidade em que vivemos. Esse ministério durou anos. Eu sabia que aquelas igrejas me apoiavam. Havia uma relação de confiança que era essencial para a missão, então, sabia que podia contar com elas.

De modo inesperado, eu soube a resposta para: Mack, o que podemos fazer por você?”.

 

#1 747: O autor faz referência a um avião fabricado pela Boeing. Trata-se do jato subsônico mais rápido no mundo, com capacidade para até 630 passageiros, utilizado para voos internacionais. – N. T.